A vida a bordo, durante cerca de 8 meses. No começo, é claro, é difícil. Tudo vai depender de como você encara as novidades e como você trata as pessoas ao seu redor. A vida a bordo pode se resumir, basicamente, em uma coisa: trabalho. Não se iluda, porque você é apenas mais um na tripulação. E não mais uma pessoa, e sim mais uma força de trabalho. Ou seja, esteja preparado para trabalhar bastante; em média, 12 horas diárias (sem feriados, fins de semana, ou folgas).
Mas sempre me surge a pergunta: E o tempo livre?
Eu sou um privilegiado. Na minha função, meu turno é de 12 horas, durante a noite. Ou seja, eu trabalho das 20h às 8h, com intervalos. Isso significa que eu tenho 12 horas livres, que eu vou chamar de horas livres brutas. Eu posso, teoricamente, fazer o que me der na telha. Posso ir dormir, posso ir na academia, posso ver um filme, tocar violão, etc. mas o que mais me atrai (e, principalmente atrai os brasileiros) é poder descer em terra.
Desembarcar e conhecer as cidades pelas quais estamos passando. Se eu não estou trabalhando, posso perfeitamente pôr uma roupa normal e descer. Tenho que ficar atento somente ao horário limite de retorno. Por exemplo: Se o navio parte do porto às 17h, eu tenho que estar a bordo às 16h. Caso contrário, eu serei penalizado com um aviso escrito do capitão (nossa autoridade máxima). Ou pior. Dependendo do tempo do meu atraso eu posso até perder o navio. Isso acarretaria vários problemas, mas o pior deles seria o fim do meu contrato e meu retorno pra casa, já que essa é a penalização prevista para estes casos.
Durante os próximos posts, eu vou detalhar cada aspecto da nossa vida. Pessoal, profissional, etc. Vou contar como vivem os tripulantes de diferentes posições na hierarquia, como é o trabalho, como são nossas festas e nossos momentos de lazer. Vou falar também das cidades pelas quais passamos e como aproveitar nosso tempo em terra.

Sempre quis saber, mas nunca perguntei. Aqui é o meu lugar. Conte tuuuuudooo kkkkk beijos, mon ami!
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